"Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa"
Regina Navarro Lins, psicanalista e escritora, autora de diversos livros sobre Amor e Relacionamentos, descreve na entrevista intitulada "Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa" o que ela pensa ser o futuro das relações amorosas...
Fica aqui o link para o artigo completo. Vale muito a pena ler...
De acordo com a Regina, as relações amorosas conhecerão profundas transformações neste século, transformações que eu creio já estarem em curso hoje. Iremos conhecer uma nova forma de olhar para os relacionamentos... uma forma muito mais aberta, mais natural, mais verdadeira.
Os seres humanos estão cada vez mais alertas para os seus interiores... para o que é realmente importante. Já não vivem para o trabalho, casa, status... Felizmente há toda uma geração a mudar e a abrir os olhos. Isso sente-se! Isso significa, para mim, que estamos a mudar! E isso faz-me feliz.
Estamos mais exigentes com as nossas relações mas não podemos deixar de olhar para dentro e começar essa exigência em nós. Regina explica como teremos que mudar para poder ter estas relações mais abertas e felizes:
"Para haver chance de se viver a dois sem tantas limitações, homens e mulheres precisam efetuar grandes mudanças na maneira de pensar e de viver. Acredito que para uma relação a dois valer a pena, alguns fatores são primordiais: total respeito ao outro e ao seu jeito de ser, suas ideias e suas escolhas; nenhuma possessividade ou manifestação de ciúme que possa limitar a vida do parceiro; poder ter amigos e programas em separado; nenhum controle da vida sexual do parceiro, mesmo porque é um assunto que só diz respeito à própria pessoa. Poucos concordam com essas ideias, pois é comum se alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não se ser abandonado. A questão é que não é tão simples. Para viver bem é preciso ter coragem."
É muito interessante analisar o medo do abandono. Ele é completamente inútil. Como seres racionais já deveríamos ter percebido isso. O medo em nada evita que um dia a pessoa amada possa virar costas e seguir o seu caminho. Se o casamento segurassem alguém, então toda a gente casada estava descansada... Nem os filhos seguram uma pessoa quando o Amor pelo parceiro desaparece. E nos casos que seguram, certamente ninguém é feliz...
Acredito que quanto mais liberdade damos a alguém mais certeza temos que se a pessoa está connosco é mesmo porque é uma decisão/desejo dela. E essa é a forma mais tranquilizante que temos para nos sentirmos amados.
Vejo o Amor como algo geral e sempre presente. Não é uma obrigação ou algo que sentimos porque agora estamos com esta pessoa. Por mais instituições que a sociedade possa criar, nada nunca irá limitar o Amor que sentimos quando o sentimos. Pelo contrário, ao criar a ideia de que se amamos esta pessoa já não podemos amar outra, estão a obrigar-nos a escolher e a prejudicar uma das duas pessoas, quando na verdade, no universo, no íntimo do nosso ser, na nossa essência, não há nada que nos diga que isso é errado. Desde que feito em Amor.
Já para não entrar - por enquanto - no campo do "a vida é demasiado curta para não a aproveitar"...




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